1
Nos fizeste para ti, e nosso coração está inquieto enquanto não encontrar em ti descanso.
— Santo Agostinho
Festa em 28 de agosto.
O elogio do Martirológio Romano conta a vida inteira em duas frases, e vem em português de Portugal, como está na fonte: "Memória de Santo Agostinho, bispo e insigne doutor da Igreja, que, depois de uma vida inquieta, quer intelectual quer moralmente, se converteu à fé católica e foi baptizado por Santo Ambrósio de Milão e, regressando à sua pátria, aí levou com alguns amigos uma vida ascética, consagrada a Deus e ao estudo da Escritura." A mesma página data a morte em 430.
Bento XVI, na primeira das catequeses que lhe dedicou, na audiência geral de 9 de janeiro de 2008, dá o começo com data: Agostinho nasceu em 13 de novembro de 354, em Tagaste, na província da Numídia, filho de Patrício, pagão que depois se tornou catecúmeno, e de Mônica, cristã fervorosa. Estudou gramática em Tagaste e em Madaura, retórica em Cartago a partir de 370, e depois mudou-se para Roma e para Milão. O Santuário Nacional de Aparecida acrescenta o que o elogio chama de vida inquieta: em Cartago seguiu o maniqueísmo, teve um filho, Adeodato, e aos vinte anos já era professor de retórica respeitado.
Em Milão ouviu as pregações do bispo Ambrósio, e o que o prendeu, registra Bento XVI, foi a leitura alegórica das Escrituras. A conversão veio em 15 de agosto de 386. O Santuário de Aparecida narra a cena que a tradição guardou: uma voz interior dizendo "Pega e lê!", e a passagem aberta ao acaso em Romanos 13. O batismo foi em 24 de abril de 387, na vigília pascal, na catedral de Milão, pelas mãos de Ambrósio — e junto dele foi batizado Adeodato, então com quinze anos.
A conversão que Agostinho narra nas Confissões é a mesma pela qual Mônica chorou e rezou a vida toda, e o calendário os manteve juntos: ela é celebrada em 27 de agosto, um dia antes dele. Bento XVI lembra que foi depois da morte da mãe, em Óstia, que Agostinho voltou definitivamente para a África.
Ordenado sacerdote em 391, foi eleito bispo de Hipona em 395, segundo Bento XVI; o Santuário de Aparecida data o bispado em 396 — divergência que vale registrar em vez de esconder. Os trinta e quatro anos que o Martirológio conta são os do bispado, em que ele foi, diz o elogio, "perfeito modelo do seu rebanho" e lhe deu formação por meio de numerosos sermões e escritos, combatendo os erros do seu tempo. Dessa cátedra saíram as Confissões, em treze livros, e A Cidade de Deus, em vinte e dois.
Morreu em 28 de agosto de 430, aos 76 anos, em Hipona — hoje Annaba, na Argélia —, enquanto a cidade vivia as invasões bárbaras. Sobre o tamanho do que deixou, Bento XVI é direto: "Pode-se dizer que todo o pensamento da antiguidade conflui na sua obra e dela derivam correntes de pensamento que permeiam toda a tradição doutrinal dos séculos sucessivos". A ACI Digital o chama, numa expressão que resume a vida antes da conversão e depois dela, de padroeiro dos que procuram Deus.
1
Nos fizeste para ti, e nosso coração está inquieto enquanto não encontrar em ti descanso.
— Santo Agostinho
2
Quem me dera descansar em ti! Quem me dera que viesses a meu coração e que o embriagasses, para que eu me esqueça de minhas maldades e me abrace contigo, meu único bem!
— Santo Agostinho
3
Estreita é a casa de minha alma para que venhas até ela: que seja por ti dilatada. Está em ruínas; restaura-a.
— Santo Agostinho
4
Nosso deleite era fazer o que nos agradava justamente pelo fato de ser coisa proibida.
— Santo Agostinho
5
Era hedionda, e eu a amei; amei minha morte, amei meu pecado; não o objeto que me fazia cair, mas minha própria queda.
— Santo Agostinho
6
E tu estavas dentro de mim, mais profundo do que o que em mim existe de mais íntimo, e mais elevado do que o que em mim existe de mais alto.
— Santo Agostinho
7
Voltai, pecadores, ao coração, e ligai-vos àquele que é vosso criador. Firmai-vos nele, e estareis firmes; descansai nele, e estareis descansados.
— Santo Agostinho
8
O bem que amais, dele procede, mas só é bom e suave quando se dirige a ele; porém, será justamente amargo se, abandonando a Deus, amardes injustamente o que dele procede.
— Santo Agostinho
9
Se ele se afastou de nossa vista, foi para que entremos em nosso coração, e ali o encontremos; se partiu, ainda está conosco.
— Santo Agostinho
10
Quem conhece a verdade conhece a luz, e quem a conhece, conhece a eternidade.
— Santo Agostinho
Confissões, Livro VII, cap. 10
11
Ó eterna verdade, amor verdadeiro, amada eternidade! Tu és meu Deus. Por ti suspiro dia e noite.
— Santo Agostinho
Confissões, Livro VII, cap. 10
12
Tu me colocavas diante de meu próprio rosto para que visse como estava indigno, disforme, sórdido, manchado e ulceroso.
— Santo Agostinho
Confissões, Livro VIII, cap. 7
13
Dá-me castidade e continência, mas não agora
— Santo Agostinho
Confissões, Livro VIII, cap. 7
14
Não quis ler mais, nem era necessário. Quando cheguei ao fim da frase, uma espécie de luz de certeza se insinuou em meu coração, dissipando todas as trevas de dúvida.
— Santo Agostinho
Confissões, Livro VIII, cap. 12
15
Ali, sozinhos, conversávamos com grande doçura, esquecendo o passado, ocupados apenas no futuro, indagávamos juntos, na presença da Verdade, que és tu, qual seria a vida eterna dos santos, que nem os olhos viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração do homem pode conceber.
— Santo Agostinho
16
É que a felicidade é a alegria que provém da verdade.
— Santo Agostinho
17
Encontrei muitos que gostam de enganar, mas ninguém que quisesse ser enganado.
— Santo Agostinho
18
Tarde te amei, Beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro de mim, e eu lá fora, a te procurar!
— Santo Agostinho
19
Tu me chamaste, gritaste por mim, e venceste minha surdez. Brilhaste, e teu esplendor afugentou minha cegueira.
— Santo Agostinho
20
Eu te saboreei, e agora tenho fome e sede de ti. Tocaste-me, e o desejo de tua paz me inflama.
— Santo Agostinho
21
Pouco te ama quem te ama juntamente com alguma criatura, e não a ama por tua causa.
— Santo Agostinho
22
Ó amor, que sempre ardes e jamais te extingues! Ó caridade, meu Deus, inflama-me!
— Santo Agostinho
23
Dá-me o que mandas, e ordena o que quiseres!
— Santo Agostinho
24
Que é, pois, o tempo? Se ninguém me pergunta, eu sei; mas se quiser explicar a quem indaga, já não sei.
— Santo Agostinho
25
Meu peso é meu amor; para onde quer que eu vá, é ele quem me leva.
— Santo Agostinho
Confissões, Livro XIII, cap. 9
26
As coisas que não estão em seu lugar se agitam; mas quando o encontram, repousam.
— Santo Agostinho
Confissões, Livro XIII, cap. 9
27
Incomparavelmente mais gloriosa é a cidade do Alto, onde a vitória é a verdade, onde a dignidade é a santidade, onde a paz é a felicidade, onde a vida é a eternidade.
— Santo Agostinho
A Cidade de Deus, Livro II, cap. 29
28
Será então o fim sem fim e que outro fim nos propomos além de chegar ao reino que não tem fim?
— Santo Agostinho
A Cidade de Deus, Livro XXII, cap. 30
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Em 15 de agosto de 386, aos 32 anos, segundo Bento XVI. O batismo veio no ano seguinte, em 24 de abril de 387, na vigília pascal da catedral de Milão, pelas mãos de Santo Ambrósio.
Mônica era a mãe dele, e rezou a vida inteira pela conversão do filho. O calendário os mantém juntos: ela é celebrada em 27 de agosto, exatamente na véspera da festa dele.
É a cena que a tradição guardou do momento da conversão: uma voz interior dizendo "Pega e lê!", e a Escritura aberta ao acaso na passagem de Romanos 13 que o decidiu. O Santuário Nacional de Aparecida a narra assim.
As Confissões, em treze livros, que são a narrativa da própria conversão, e A Cidade de Deus, em vinte e dois livros, sobre a fé diante da política e da queda de Roma.
Porque é o dia da morte dele, em 430, em Hipona. A Igreja celebra os santos na data em que morreram, que a tradição chama de nascimento para o céu.
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