1
Nos fizeste para ti, e nosso coração está inquieto enquanto não encontrar em ti descanso.
— Santo Agostinho
Agostinho escreve rezando: as Confissões são treze livros dirigidos a Deus na segunda pessoa, e por isso tantas frases dele soam como súplica, e não como sentença de manual. Quase sempre nascem de uma pergunta que ele faz a si mesmo — o que é o tempo, o que é a felicidade, por que roubei aquelas pêras — e a resposta vem na cadência curta do professor de retórica que ele foi antes de ser bispo. As fontes ao pé da página dão o livro e o capítulo de cada citação, com o link para o texto integral.
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1
Nos fizeste para ti, e nosso coração está inquieto enquanto não encontrar em ti descanso.
— Santo Agostinho
2
Quem me dera descansar em ti! Quem me dera que viesses a meu coração e que o embriagasses, para que eu me esqueça de minhas maldades e me abrace contigo, meu único bem!
— Santo Agostinho
3
Estreita é a casa de minha alma para que venhas até ela: que seja por ti dilatada. Está em ruínas; restaura-a.
— Santo Agostinho
4
Nosso deleite era fazer o que nos agradava justamente pelo fato de ser coisa proibida.
— Santo Agostinho
5
Era hedionda, e eu a amei; amei minha morte, amei meu pecado; não o objeto que me fazia cair, mas minha própria queda.
— Santo Agostinho
6
E tu estavas dentro de mim, mais profundo do que o que em mim existe de mais íntimo, e mais elevado do que o que em mim existe de mais alto.
— Santo Agostinho
7
Voltai, pecadores, ao coração, e ligai-vos àquele que é vosso criador. Firmai-vos nele, e estareis firmes; descansai nele, e estareis descansados.
— Santo Agostinho
8
O bem que amais, dele procede, mas só é bom e suave quando se dirige a ele; porém, será justamente amargo se, abandonando a Deus, amardes injustamente o que dele procede.
— Santo Agostinho
9
Se ele se afastou de nossa vista, foi para que entremos em nosso coração, e ali o encontremos; se partiu, ainda está conosco.
— Santo Agostinho
10
Quem conhece a verdade conhece a luz, e quem a conhece, conhece a eternidade.
— Santo Agostinho
Confissões, Livro VII, cap. 10
11
Ó eterna verdade, amor verdadeiro, amada eternidade! Tu és meu Deus. Por ti suspiro dia e noite.
— Santo Agostinho
Confissões, Livro VII, cap. 10
12
Tu me colocavas diante de meu próprio rosto para que visse como estava indigno, disforme, sórdido, manchado e ulceroso.
— Santo Agostinho
Confissões, Livro VIII, cap. 7
13
Dá-me castidade e continência, mas não agora
— Santo Agostinho
Confissões, Livro VIII, cap. 7
14
Não quis ler mais, nem era necessário. Quando cheguei ao fim da frase, uma espécie de luz de certeza se insinuou em meu coração, dissipando todas as trevas de dúvida.
— Santo Agostinho
Confissões, Livro VIII, cap. 12
15
Ali, sozinhos, conversávamos com grande doçura, esquecendo o passado, ocupados apenas no futuro, indagávamos juntos, na presença da Verdade, que és tu, qual seria a vida eterna dos santos, que nem os olhos viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração do homem pode conceber.
— Santo Agostinho
16
É que a felicidade é a alegria que provém da verdade.
— Santo Agostinho
17
Encontrei muitos que gostam de enganar, mas ninguém que quisesse ser enganado.
— Santo Agostinho
18
Tarde te amei, Beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro de mim, e eu lá fora, a te procurar!
— Santo Agostinho
19
Tu me chamaste, gritaste por mim, e venceste minha surdez. Brilhaste, e teu esplendor afugentou minha cegueira.
— Santo Agostinho
20
Eu te saboreei, e agora tenho fome e sede de ti. Tocaste-me, e o desejo de tua paz me inflama.
— Santo Agostinho
21
Pouco te ama quem te ama juntamente com alguma criatura, e não a ama por tua causa.
— Santo Agostinho
22
Ó amor, que sempre ardes e jamais te extingues! Ó caridade, meu Deus, inflama-me!
— Santo Agostinho
23
Dá-me o que mandas, e ordena o que quiseres!
— Santo Agostinho
24
Que é, pois, o tempo? Se ninguém me pergunta, eu sei; mas se quiser explicar a quem indaga, já não sei.
— Santo Agostinho
25
Meu peso é meu amor; para onde quer que eu vá, é ele quem me leva.
— Santo Agostinho
Confissões, Livro XIII, cap. 9
26
As coisas que não estão em seu lugar se agitam; mas quando o encontram, repousam.
— Santo Agostinho
Confissões, Livro XIII, cap. 9
27
Incomparavelmente mais gloriosa é a cidade do Alto, onde a vitória é a verdade, onde a dignidade é a santidade, onde a paz é a felicidade, onde a vida é a eternidade.
— Santo Agostinho
A Cidade de Deus, Livro II, cap. 29
28
Será então o fim sem fim e que outro fim nos propomos além de chegar ao reino que não tem fim?
— Santo Agostinho
A Cidade de Deus, Livro XXII, cap. 30