Mensagem com Fé

São Zenão, mártir

Festa em 2 de setembro.

Quem foi

O Martirológio Romano abre o dia 2 de setembro com ele, no primeiro elogio da página, e o texto inteiro cabe numa linha: "Em Nicomédia, na Bitínia, hoje Izmit, na Turquia, São Zenão, mártir." A data que o elogio registra é "† s. III" — o século, sem ano. É tudo o que o Martirológio em vigor diz dele. Não há de onde veio, nem o que fazia, nem como morreu, nem sob que imperador. Este perfil não vai preencher esses buracos: vai dizer o que cada fonte diz, e onde elas discordam.

O que o Vatican News acrescenta

O Vatican News, em português, nomeia a memória do dia como "S. Zenão, mártir de Nicomédia" e conta uma história que o elogio não traz: "São Zeno, pai, e seus dois filhos, Concórdio e Teodoro, foram alvos do último imperador romano, declaradamente pagão, Juliano o Apóstata, que quis interromper seu caminho para o cristianismo. O martírio deles, entre história e lenda, foi narrado por uma antiga passio latina." A ressalva é da própria fonte, e vale repeti-la: entre história e lenda.

Um elogio mais antigo, com outro imperador

A edição italiana do Vatican News reproduz, apresentando-as como palavras do Martirológio Romano, um elogio bem diferente do que se lê hoje em português: "A Nicodemia, Zenone soldato: fattosi beffe di Diocleziano mentre questo imperatore offriva un sacrificio a Cerere, ebbe le mascelle spezzate, i denti strappati e la testa troncata". Nessa versão Zenão é soldado, o imperador é Diocleciano, e a morte vem descrita nos detalhes. A mesma página acrescenta que o soldado Zenão foi martirizado com os dois filhos, Concórdio e Teodoro, e encerra reconhecendo o limite do que se sabe: "Non si hanno altre notizie oltre i cenni sopra riportati".

As fontes não coincidem

É melhor dizer isto com todas as letras do que escondê-lo atrás de uma redação lisa. O Martirológio Romano em vigor dá o século III e não nomeia imperador nenhum. O Vatican News em português e a Arquidiocese de Manaus falam de Juliano, o Apóstata. O elogio antigo citado pela edição italiana do Vatican News fala de Diocleciano. Os dois filhos, Concórdio e Teodoro, aparecem nas duas versões do Vatican News e não aparecem no elogio do Martirológio de hoje. Nada disso se resolve nesta página, e tentar resolver seria inventar: o que dá para fazer com honestidade é registrar quem afirma o quê.

O que se lê no Brasil

A Arquidiocese de Manaus publica, creditando o Portal A12, a versão em português que circula por aqui: Zenão foi "um cristão fervoroso de Nicomédia, na atual Turquia", perseguido no reinado de Juliano, o Apóstata; era pai de Concórdio e Teodoro, que também foram alvos da perseguição; e a memória dele chegou até nós "através de uma antiga passio latina, que mistura fatos históricos com elementos lendários". Segundo a tradição que a mesma página recolhe, pai e filhos foram presos e torturados para que renunciassem à fé, e permaneceram firmes. É dali que vem a única coisa parecida com um padroado que se encontra sobre ele: o testemunho dos três "tornou-se um símbolo de resistência espiritual e fidelidade a Cristo".

Quem mais é lembrado neste dia

O elogio de Zenão é o primeiro de uma página longa. No mesmo 2 de setembro o Martirológio Romano recorda Santa Teódota, com os filhos Evódio, Hermógenes e Calisto, mártires em Niceia; Santo Habib, diácono, lançado ao fogo em Edessa por ordem do governador Lisânias; e São Justo, bispo de Lião, que depois do Concílio de Aquileia renunciou ao episcopado e se refugiou num ermo do Egito. É também neste dia que a fonte reúne a longa lista dos sacerdotes e religiosos mortos nas prisões de Paris, em 1792.

Morte:
O Martirológio Romano registra apenas "† s. III", sem ano; o Vatican News em português situa o martírio na perseguição de Juliano, o Apóstata, e o elogio antigo citado pela edição italiana do mesmo Vatican News, no tempo de Diocleciano

Padroado

Perguntas frequentes

Quem foi São Zenão, mártir de Nicomédia?

Um mártir de Nicomédia, na Bitínia, hoje Izmit, na Turquia. O Martirológio Romano lhe dedica uma linha e nenhum ano, apenas "† s. III". O Vatican News acrescenta que ele foi martirizado com dois filhos, Concórdio e Teodoro, e avisa que o relato está "entre história e lenda".

O que o Martirológio Romano diz sobre São Zenão?

O elogio inteiro é este: "Em Nicomédia, na Bitínia, hoje Izmit, na Turquia, São Zenão, mártir." A data registrada é "† s. III". É o primeiro elogio do dia 2 de setembro, e não há nele nem imperador, nem profissão, nem forma de morte.

São Zenão foi martirizado com os filhos?

É o que dizem as duas edições do Vatican News: ele foi martirizado com dois filhos, Concórdio e Teodoro. O elogio do Martirológio Romano em vigor não menciona os filhos — ele nomeia só Zenão.

Quem perseguiu São Zenão, Diocleciano ou Juliano, o Apóstata?

As fontes não coincidem. O Vatican News em português e a Arquidiocese de Manaus falam de Juliano, o Apóstata. Um elogio mais antigo, citado pelo Vatican News em italiano, fala de Diocleciano. O Martirológio Romano de hoje não nomeia imperador nenhum e dá apenas o século III.

Quando é a festa de São Zenão, mártir?

Em 2 de setembro, dia em que o Martirológio Romano o recorda no primeiro elogio da página, e em que o Vatican News publica a memória como "S. Zenão, mártir de Nicomédia".

De que São Zenão é padroeiro?

Nenhuma das fontes consultadas lhe registra padroado formal. O mais próximo disso é a Arquidiocese de Manaus, creditando o Portal A12, que diz que o testemunho de Zenão e dos filhos "tornou-se um símbolo de resistência espiritual e fidelidade a Cristo".

Fontes

Tudo o que está nesta página vem das fontes abaixo. Os links abrem o texto original.

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