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falando, não com a língua, mas com as mãos e as obras
— São Pedro Claver
Festa em 9 de setembro.
O elogio do dia 9 de setembro no Martirológio Romano é o resumo mais curto desta vida: "São Pedro Claver, presbítero da Companhia de Jesus, que, em Cartagena, na Colômbia, durante mais de quarenta anos, com admirável abnegação e exímia caridade se dedicou ao serviço dos negros trazidos como escravos, dos quais cerca de trezentos mil fez renascer para Cristo pelo Baptismo por ele administrado". O ano de morte que o elogio registra é 1654. Este perfil não vai além do que as fontes citadas no fim da página sustentam — e, onde elas divergem entre si, o texto diz que divergem, em vez de escolher por conta própria.
O Vatican News, na página do santo do dia, escreve que Pedro nasceu em Verdú, na Catalunha, em 25 de junho de 1581, e que não pertencia a uma família nobre. Fez o noviciado em Tarragona, os estudos de filosofia em Palma de Maiorca e começou os de teologia em Barcelona. Não havia terminado ainda quando foi destinado à missão de Nova Granada, nome de então da atual Colômbia. A reportagem do mesmo Vatican News acrescenta que ele entrou na Companhia de Jesus em 1602 e que estudou filosofia no colégio de Montesión, em Maiorca; que o provincial o enviou à Colômbia em 1610; e que, antes de terminar a teologia em Bogotá, foi para Cartagena, na costa do Caribe, onde foi ordenado em 1616 e onde passaria o resto da vida.
Em Maiorca, quem abria a porta do colégio era o Irmão Alfonso Rodriguez, já então conhecido pela santidade. Segundo o Vatican News, foi ele quem, depois de rezar muito, exortou o jovem estudante a sair e a evangelizar as colônias espanholas no continente americano — acendendo nele, diz a reportagem, o desejo de fazer algo por Deus. A mesma reportagem guarda o ditado do porteiro que Pedro Claver levaria para o resto da vida: "Buscai a Deus nos homens e sirva-os como sua imagem". Anos depois, os dois seriam canonizados juntos.
Cartagena era um dos dois portos espanhóis autorizados a receber escravos, registra o Vatican News, e no tempo de Pedro Claver estima-se que cerca de dez mil pessoas passavam por ali. Chegavam em condições horríveis, depois de uma viagem muito longa. Ele as esperava no cais levando alimentos que conseguira como esmolas; acompanhado de ex-escravos que serviam de intérpretes, subia nos navios, cumprimentava os que encontrava no convés e descia ao porão para cuidar dos doentes — limpava feridas, aplicava pomadas e curativos, e falava de Deus. A página do santo do dia acrescenta que ele aprendeu a língua dos angolanos e se serviu de outros dezoito intérpretes, e que despertava em cada um o sentido da própria dignidade humana.
Educado na escola do missionário Alonso de Sandoval, Pedro Claver tornou-se, nas palavras que o Vatican News registra, servo dos negros para sempre — "Aethiopum semper servus"; na época, diz a mesma página, todos os negros eram chamados etíopes. Os escravos ficavam poucos dias em Cartagena, e por isso ele agia depressa para prepará-los ao batismo, ainda que a instrução fosse necessariamente limitada. Visitava também hospitais, um deles de leprosos, e cuidava de prisioneiros de guerra holandeses e ingleses. Pela obra incansável, foi acusado de descuidar e profanar os Sacramentos, administrando-os a criaturas que, diziam os acusadores, "mal entendiam".
Em 1650 Cartagena sofreu uma epidemia de peste, e ele foi acometido por ela depois de ter atendido outros doentes. A página do santo do dia diz que sobreviveu, mas que pelo resto da vida não pôde mais trabalhar: passou os últimos quatro anos imobilizado numa enfermaria do convento. O homem que fora a alma da cidade, pai dos pobres e consolador de tantas desventuras, foi completamente esquecido por todos, e passou esse tempo em oração. A reportagem do Vatican News conta a mesma peste de outro modo, apresentando-o como uma das vítimas dela; as duas páginas concordam no ano da morte, 1654.
Em 10 de setembro de 2017, o Papa Francisco celebrou em Cartagena das Índias a última Missa da viagem à Colômbia e falou dele no lugar onde ele morreu: "Aqui mesmo, a 8 de setembro de 1654, morria São Pedro Claver, depois de quarenta anos de escravidão voluntária, de trabalho incansável a favor dos mais pobres". Na mesma homilia, o Papa disse que ele "soube restaurar a dignidade e a esperança de centenas de milhares de negros e escravos que chegavam em condições absolutamente desumanas", e que, sem títulos acadêmicos de renome — chegou-se a afirmar que era "medíocre" de inteligência —, teve o "génio" de viver cabalmente o Evangelho.
O Vatican News registra as datas: beatificado em 16 de julho de 1850 por Pio IX e canonizado em 15 de janeiro de 1888 por Leão XIII, junto com Alfonso Rodriguez, o porteiro de Maiorca. Em 7 de julho de 1896 foi proclamado Padroeiro de "Todas as Missões Católicas entre os Negros". Em Cartagena o nome dele ficou na cidade: a homilia do Papa Francisco cita a lei colombiana que fez dela a sede dos Direitos Humanos no país justamente porque ali, no século XVII, "graças ao grupo missionário formado pelos sacerdotes jesuítas Pedro Claver y Corberó, Alonso de Sandoval e o irmão Nicolás González", nasceu a preocupação por aliviar a situação dos oprimidos de então.
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falando, não com a língua, mas com as mãos e as obras
— São Pedro Claver
Segundo o Martirológio Romano, um "presbítero da Companhia de Jesus, que, em Cartagena, na Colômbia, durante mais de quarenta anos, com admirável abnegação e exímia caridade se dedicou ao serviço dos negros trazidos como escravos". O Vatican News o apresenta como catalão de Verdú, ordenado em Cartagena em 1616.
É 9 de setembro, dia em que o Martirológio Romano traz o elogio dele. A morte, porém, é registrada no dia anterior: o Vatican News e a homilia do Papa Francisco em Cartagena dão 8 de setembro de 1654 — data que, na Igreja, já é a festa da Natividade de Nossa Senhora.
Porque foi assim que ele se definiu. O Vatican News registra que, educado na escola do missionário Alonso de Sandoval, ele se tornou servo dos negros para sempre — "Aethiopum semper servus" —, e que na época todos os negros eram chamados etíopes.
O Martirológio Romano diz que dos negros trazidos como escravos "cerca de trezentos mil fez renascer para Cristo pelo Baptismo por ele administrado". O Papa Francisco, na homilia de Cartagena, fala em "centenas de milhares de negros e escravos" cuja dignidade e esperança ele soube restaurar.
De "Todas as Missões Católicas entre os Negros": o Vatican News registra que ele foi proclamado padroeiro delas em 7 de julho de 1896, oito anos depois da canonização.
Em 15 de janeiro de 1888, por Leão XIII, junto com Alfonso Rodriguez — o porteiro do colégio de Maiorca que o havia empurrado para as missões da América. Antes disso fora beatificado por Pio IX, em 16 de julho de 1850, segundo o Vatican News.
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