Mensagem com Fé

São Nicolau de Tolentino, presbítero

Festa em 10 de setembro.

Quem foi

O elogio do dia 10 de setembro no Martirológio Romano é o resumo mais curto desta vida: "Em Tolentino, no Piceno, hoje nas Marcas, também região da Itália, São Nicolau, presbítero da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, que era homem de rigorosíssima abstinência e assídua oração, severo para consigo e clemente para com os outros, e muitas vezes impunha a si mesmo a satisfação do pecado dos outros". O ano de morte que o elogio registra é 1305. Este perfil não vai além do que as fontes citadas no fim da página sustentam — e, onde elas divergem entre si, o texto diz que divergem, em vez de escolher por conta própria.

Painel de altar com um frade de hábito negro e cinto de couro, auréola dourada e um sol de raios ao lado da cabeça, erguendo a mão direita em bênção e segurando um livro fechado na esquerda, diante de uma parede de mármore claro.
Piero della Francesca, 1454–1459 · domínio público · Wikimedia Commons — Saint Nicholas of Tolentino, painel de Piero della Francesca, digitalizado pelo Google Art Project (domínio público)

Nas Marcas, em 1245

O Vatican News, na página do santo do dia, escreve que Nicolau nasceu nas Marcas, em 1245, na diocese de Fermo, e que, ainda adolescente, conheceu os Agostinianos e foi atraído pela vida monacal, à qual se consagrou em Tolentino. A edição italiana do mesmo Vatican News acrescenta que ele nasceu graças a um voto que os pais fizeram a São Nicolau de Bari, de quem tomou o nome. Sobre o lugar exato do nascimento as fontes não dizem o mesmo: L'Osservatore Romano e a reportagem do Vatican News sobre a Festa do Perdão dão Sant'Angelo in Pontano, na província de Macerata.

Dos eremitas de Brettino a Tolentino

L'Osservatore Romano conta que ele entrou muito jovem num dos grupos que dariam origem à ordem agostiniana: os eremitas fundados em San Biagio di Brettino, perto de Fano, por um grupo de cidadãos de Fano que queriam viver em pobreza, oração e penitência. O mesmo jornal registra que foi ordenado sacerdote em 1265, em Cingoli, e que, depois de exercer o ministério em muitos centros das Marcas, chegou a Tolentino, onde viveu o resto da vida terrena. A reportagem do Vatican News sobre a Festa do Perdão data em torno de 1259 a decisão de entrar na ordem dos frades eremitas de Santo Agostinho, e em 1275 a chegada a Tolentino, onde ele passaria trinta anos.

A régua do corpo e a porta do confessionário

A edição italiana do Vatican News descreve a regra alimentar que acompanhava a regra espiritual: nada de carne, ovos, laticínios e frutas — só verdura e caldo de legumes sem tempero —, sem contar os jejuns que cobriam ao menos três dias por semana. Muitas eram as horas que ele dedicava à oração e ao confessionário, acolhendo com misericórdia os que se aproximavam cheios de vergonha; servia os pobres e incitava os ricos a ajudá-los por justiça social. L'Osservatore Romano observa que, apesar de passar boa parte do dia em oração e jejum, ele era para todos um santo sorridente, que difundia serenidade e punha alegria — e que aos pobres que batiam à porta do convento dava comida e roupa, descuidando muitas vezes das próprias necessidades.

Os sete dias pelas almas do purgatório

O padroado mais conhecido nasce de um episódio que L'Osservatore Romano narra em detalhe: num sábado à noite, no eremitério agostiniano de Valmanente, perto de Pesaro, recém-deitado, o frade ouviu um grito que o chamava pelo nome e lhe pedia que olhasse — no italiano do jornal, "Nicola! Uomo di Dio, guardami!". A figura apresentou-se como a alma de frei Pellegrino da Osimo, atormentada no Purgatório, e pediu que ele celebrasse missa em seu sufrágio; mostrou-lhe também um vale enorme cheio de almas de toda condição, idade e sexo. Nicolau pediu licença ao superior e celebrou durante sete dias — daí, diz o jornal, a tradição do setenário das almas purgantes —, ao fim dos quais frei Pellegrino voltou para agradecer.

O processo, os milagres e a canonização

O processo de canonização foi instaurado por João XXII em 23 de maio de 1325, no vigésimo aniversário da morte, registra a edição italiana do Vatican News — e é dele que vem quase tudo o que se sabe desta vida. Foram tantos os testemunhos de milagres levados ao processo que fizeram dele um santo grande e famoso. L'Osservatore Romano acrescenta que quem o canonizou foi o Papa Eugênio IV, em 1446, e que o processo narra prodígios como a ressurreição da menina de doze anos Filippina di Fermo, de Jacopuccio Fateboni e de Venturino di Gigliolo, além de outros trezentos milagres — pelos quais ele é reconhecido como um dos maiores taumaturgos da Idade Média. O mesmo jornal o chama de primeiro religioso canonizado dos Eremitas de Santo Agostinho.

O Perdão de São Nicolau, em Tolentino

A basílica de Tolentino guarda o túmulo dele e, com ele, uma indulgência antiga: o Vatican News registra que Bonifácio IX concedeu indulgência plenária a quem visitasse devotamente o lugar, pela bula Splendor paternae gloriae, de 1º de janeiro de 1390. L'Osservatore Romano acrescenta uma segunda bula, Licet is de cuius, de 1º de março de 1400. É a Festa do Perdão, celebrada até hoje. Em 13 de setembro de 2023, quem a comemorou ali foi monsenhor Robert Francis Prevost — então prefeito do Dicastério para os Bispos e cardeal designado, hoje Papa Leão XIV —, com palavras que o jornal transcreve em italiano: "Rendiamo grazie a Dio per questa festa del Perdono, per l'esempio di san Nicola da Tolentino e di tanti altri santi che hanno saputo vivere l'insegnamento di Gesù".

O corpo, os braços e o Cappellone

A edição italiana do Vatican News conta que, quarenta anos depois da morte, os braços se destacaram do corpo ainda incorrupto e que, segundo a tradição, uma copiosa efusão de sangue exigiu várias toalhas para ser estancada — toalhas hoje guardadas em relicários de prata na basílica de Tolentino. Sepultado de novo, perdeu-se a localização exata do corpo; os braços foram postos em relicários de prata que, do século XV em diante, onze vezes verteram sangue. Em 1926 o corpo foi reencontrado dentro da igreja e recomposto. A história dele está afrescada no Cappellone da basílica, numa pintura datável das primeiras décadas do Trecento, atribuída a mestres riminenses chefiados por Pietro da Rimini.

Nascimento:
1245. O Vatican News, na página do santo do dia, situa o nascimento nas Marcas, na diocese de Fermo; L'Osservatore Romano e a reportagem do Vatican News sobre a Festa do Perdão dão o lugar como Sant'Angelo in Pontano, na província de Macerata. Este perfil registra as duas leituras e não escolhe entre elas
Morte:
10 de setembro de 1305, em Tolentino, segundo o Vatican News e L'Osservatore Romano; o Martirológio Romano registra o ano, 1305

Padroado

Perguntas frequentes

Quem foi São Nicolau de Tolentino?

Segundo o Martirológio Romano, um "presbítero da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho" que viveu em Tolentino, nas Marcas — "homem de rigorosíssima abstinência e assídua oração, severo para consigo e clemente para com os outros". O Vatican News o apresenta como asceta de sorriso amável, de longas orações e jejuns.

Quando é o dia de São Nicolau de Tolentino?

É 10 de setembro, dia em que o Martirológio Romano traz o elogio dele. A data coincide com a da morte: o Vatican News e L'Osservatore Romano dão 10 de setembro de 1305, em Tolentino.

Por que São Nicolau de Tolentino é padroeiro das almas do purgatório?

L'Osservatore Romano narra que, no eremitério de Valmanente, perto de Pesaro, a alma de frei Pellegrino da Osimo lhe pediu missa em sufrágio e lhe mostrou um vale cheio de almas. Ele celebrou durante sete dias — daí a tradição do setenário —, e o Vatican News o registra como protetor das almas do purgatório.

Quando São Nicolau de Tolentino foi canonizado?

Em 1446, pelo Papa Eugênio IV, segundo L'Osservatore Romano, que o chama de primeiro religioso canonizado dos Eremitas de Santo Agostinho. O processo havia sido instaurado por João XXII em 23 de maio de 1325, informa o Vatican News.

O que é a Festa do Perdão de São Nicolau?

A indulgência plenária ligada à basílica de Tolentino, que guarda o túmulo dele. O Vatican News registra que foi concedida por Bonifácio IX pela bula Splendor paternae gloriae, de 1º de janeiro de 1390; L'Osservatore Romano acrescenta a bula Licet is de cuius, de 1º de março de 1400.

De que mais São Nicolau de Tolentino é invocado protetor?

Além das almas do purgatório, o Vatican News registra que ele é invocado como protetor em caso de incêndio e de epidemias; a reportagem do mesmo Vatican News sobre a Festa do Perdão o dá também como patrono da Igreja universal para as questões relativas ao ecumenismo.

Fontes

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