São Nicolau de Tolentino, presbítero
Festa em 10 de setembro.
Quem foi
O elogio do dia 10 de setembro no Martirológio Romano é o resumo mais curto desta vida: "Em Tolentino, no Piceno, hoje nas Marcas, também região da Itália, São Nicolau, presbítero da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, que era homem de rigorosíssima abstinência e assídua oração, severo para consigo e clemente para com os outros, e muitas vezes impunha a si mesmo a satisfação do pecado dos outros". O ano de morte que o elogio registra é 1305. Este perfil não vai além do que as fontes citadas no fim da página sustentam — e, onde elas divergem entre si, o texto diz que divergem, em vez de escolher por conta própria.
Nas Marcas, em 1245
O Vatican News, na página do santo do dia, escreve que Nicolau nasceu nas Marcas, em 1245, na diocese de Fermo, e que, ainda adolescente, conheceu os Agostinianos e foi atraído pela vida monacal, à qual se consagrou em Tolentino. A edição italiana do mesmo Vatican News acrescenta que ele nasceu graças a um voto que os pais fizeram a São Nicolau de Bari, de quem tomou o nome. Sobre o lugar exato do nascimento as fontes não dizem o mesmo: L'Osservatore Romano e a reportagem do Vatican News sobre a Festa do Perdão dão Sant'Angelo in Pontano, na província de Macerata.
Dos eremitas de Brettino a Tolentino
L'Osservatore Romano conta que ele entrou muito jovem num dos grupos que dariam origem à ordem agostiniana: os eremitas fundados em San Biagio di Brettino, perto de Fano, por um grupo de cidadãos de Fano que queriam viver em pobreza, oração e penitência. O mesmo jornal registra que foi ordenado sacerdote em 1265, em Cingoli, e que, depois de exercer o ministério em muitos centros das Marcas, chegou a Tolentino, onde viveu o resto da vida terrena. A reportagem do Vatican News sobre a Festa do Perdão data em torno de 1259 a decisão de entrar na ordem dos frades eremitas de Santo Agostinho, e em 1275 a chegada a Tolentino, onde ele passaria trinta anos.
A régua do corpo e a porta do confessionário
A edição italiana do Vatican News descreve a regra alimentar que acompanhava a regra espiritual: nada de carne, ovos, laticínios e frutas — só verdura e caldo de legumes sem tempero —, sem contar os jejuns que cobriam ao menos três dias por semana. Muitas eram as horas que ele dedicava à oração e ao confessionário, acolhendo com misericórdia os que se aproximavam cheios de vergonha; servia os pobres e incitava os ricos a ajudá-los por justiça social. L'Osservatore Romano observa que, apesar de passar boa parte do dia em oração e jejum, ele era para todos um santo sorridente, que difundia serenidade e punha alegria — e que aos pobres que batiam à porta do convento dava comida e roupa, descuidando muitas vezes das próprias necessidades.
Os sete dias pelas almas do purgatório
O padroado mais conhecido nasce de um episódio que L'Osservatore Romano narra em detalhe: num sábado à noite, no eremitério agostiniano de Valmanente, perto de Pesaro, recém-deitado, o frade ouviu um grito que o chamava pelo nome e lhe pedia que olhasse — no italiano do jornal, "Nicola! Uomo di Dio, guardami!". A figura apresentou-se como a alma de frei Pellegrino da Osimo, atormentada no Purgatório, e pediu que ele celebrasse missa em seu sufrágio; mostrou-lhe também um vale enorme cheio de almas de toda condição, idade e sexo. Nicolau pediu licença ao superior e celebrou durante sete dias — daí, diz o jornal, a tradição do setenário das almas purgantes —, ao fim dos quais frei Pellegrino voltou para agradecer.
O processo, os milagres e a canonização
O processo de canonização foi instaurado por João XXII em 23 de maio de 1325, no vigésimo aniversário da morte, registra a edição italiana do Vatican News — e é dele que vem quase tudo o que se sabe desta vida. Foram tantos os testemunhos de milagres levados ao processo que fizeram dele um santo grande e famoso. L'Osservatore Romano acrescenta que quem o canonizou foi o Papa Eugênio IV, em 1446, e que o processo narra prodígios como a ressurreição da menina de doze anos Filippina di Fermo, de Jacopuccio Fateboni e de Venturino di Gigliolo, além de outros trezentos milagres — pelos quais ele é reconhecido como um dos maiores taumaturgos da Idade Média. O mesmo jornal o chama de primeiro religioso canonizado dos Eremitas de Santo Agostinho.
O Perdão de São Nicolau, em Tolentino
A basílica de Tolentino guarda o túmulo dele e, com ele, uma indulgência antiga: o Vatican News registra que Bonifácio IX concedeu indulgência plenária a quem visitasse devotamente o lugar, pela bula Splendor paternae gloriae, de 1º de janeiro de 1390. L'Osservatore Romano acrescenta uma segunda bula, Licet is de cuius, de 1º de março de 1400. É a Festa do Perdão, celebrada até hoje. Em 13 de setembro de 2023, quem a comemorou ali foi monsenhor Robert Francis Prevost — então prefeito do Dicastério para os Bispos e cardeal designado, hoje Papa Leão XIV —, com palavras que o jornal transcreve em italiano: "Rendiamo grazie a Dio per questa festa del Perdono, per l'esempio di san Nicola da Tolentino e di tanti altri santi che hanno saputo vivere l'insegnamento di Gesù".
O corpo, os braços e o Cappellone
A edição italiana do Vatican News conta que, quarenta anos depois da morte, os braços se destacaram do corpo ainda incorrupto e que, segundo a tradição, uma copiosa efusão de sangue exigiu várias toalhas para ser estancada — toalhas hoje guardadas em relicários de prata na basílica de Tolentino. Sepultado de novo, perdeu-se a localização exata do corpo; os braços foram postos em relicários de prata que, do século XV em diante, onze vezes verteram sangue. Em 1926 o corpo foi reencontrado dentro da igreja e recomposto. A história dele está afrescada no Cappellone da basílica, numa pintura datável das primeiras décadas do Trecento, atribuída a mestres riminenses chefiados por Pietro da Rimini.
- Nascimento:
- 1245. O Vatican News, na página do santo do dia, situa o nascimento nas Marcas, na diocese de Fermo; L'Osservatore Romano e a reportagem do Vatican News sobre a Festa do Perdão dão o lugar como Sant'Angelo in Pontano, na província de Macerata. Este perfil registra as duas leituras e não escolhe entre elas
- Morte:
- 10 de setembro de 1305, em Tolentino, segundo o Vatican News e L'Osservatore Romano; o Martirológio Romano registra o ano, 1305
Padroado
- Almas do purgatório — a edição italiana do Vatican News o registra como protetor delas, e a reportagem do mesmo Vatican News sobre a Festa do Perdão de Tolentino o chama de patrono das almas do Purgatório
- Proteção em caso de incêndio e de epidemias — a mesma entrada do santo do dia no Vatican News registra as duas invocações, ao lado da primeira
- Igreja universal, nas questões relativas ao ecumenismo — segundo a reportagem do Vatican News sobre a Festa do Perdão
Perguntas frequentes
Quem foi São Nicolau de Tolentino?
Segundo o Martirológio Romano, um "presbítero da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho" que viveu em Tolentino, nas Marcas — "homem de rigorosíssima abstinência e assídua oração, severo para consigo e clemente para com os outros". O Vatican News o apresenta como asceta de sorriso amável, de longas orações e jejuns.
Quando é o dia de São Nicolau de Tolentino?
É 10 de setembro, dia em que o Martirológio Romano traz o elogio dele. A data coincide com a da morte: o Vatican News e L'Osservatore Romano dão 10 de setembro de 1305, em Tolentino.
Por que São Nicolau de Tolentino é padroeiro das almas do purgatório?
L'Osservatore Romano narra que, no eremitério de Valmanente, perto de Pesaro, a alma de frei Pellegrino da Osimo lhe pediu missa em sufrágio e lhe mostrou um vale cheio de almas. Ele celebrou durante sete dias — daí a tradição do setenário —, e o Vatican News o registra como protetor das almas do purgatório.
Quando São Nicolau de Tolentino foi canonizado?
Em 1446, pelo Papa Eugênio IV, segundo L'Osservatore Romano, que o chama de primeiro religioso canonizado dos Eremitas de Santo Agostinho. O processo havia sido instaurado por João XXII em 23 de maio de 1325, informa o Vatican News.
O que é a Festa do Perdão de São Nicolau?
A indulgência plenária ligada à basílica de Tolentino, que guarda o túmulo dele. O Vatican News registra que foi concedida por Bonifácio IX pela bula Splendor paternae gloriae, de 1º de janeiro de 1390; L'Osservatore Romano acrescenta a bula Licet is de cuius, de 1º de março de 1400.
De que mais São Nicolau de Tolentino é invocado protetor?
Além das almas do purgatório, o Vatican News registra que ele é invocado como protetor em caso de incêndio e de epidemias; a reportagem do mesmo Vatican News sobre a Festa do Perdão o dá também como patrono da Igreja universal para as questões relativas ao ecumenismo.
Fontes
Tudo o que está nesta página vem das fontes abaixo. Os links abrem o texto original.
- Martirológio Romano — elogio de 10 de setembro (elogio 9: São Nicolau de Tolentino, presbítero), Secretariado Nacional de Liturgia
- Vatican News — S. Nicolau de Tolentino, presbítero agostiniano (Santo do dia, 10 de setembro)
- Vatican News (edição italiana) — San Nicola da Tolentino, sacerdote agostiniano (Santo del giorno, 10 de setembro)
- Vatican News — A Tolentino la festa del perdono di San Nicola, por Tiziana Campisi (15 de setembro de 2023)
- L'Osservatore Romano — Vero povero di Cristo, por Rocco Ronzani (9 de setembro de 2020)
- L'Osservatore Romano — Stella polare dell'Ordine e apostolo del perdono, por Pierantonio Piatti (10 de setembro de 2025)