São Moisés, profeta
Festa em 4 de setembro.
Quem foi
Moisés é uma das poucas figuras do Antigo Testamento que o Martirológio Romano inscreve entre os santos do calendário, e o elogio do dia 4 de setembro cabe em quatro linhas: Deus o escolheu para libertar o seu povo do Egito e conduzi-lo à terra prometida, no monte Sinai revelou-lhe o seu nome e deu-lhe a lei que devia reger a vida do povo eleito. O Vatican News, que o apresenta como "legislador e profeta", lembra onde a história dele está escrita — nos últimos quatro livros do Pentateuco: o Êxodo descreve a libertação da escravidão e a fuga pelo deserto; o Levítico fala dele como guia do povo eleito; o Livro dos Números narra a última parte dos quarenta anos no deserto; e o Deuteronômio descreve o fim da sua vida. Este perfil segue essas fontes e para onde elas param.
Salvo das águas
O significado do nome, diz o Vatican News, é "salvo das águas", mas, segundo outros estudiosos, quer dizer também "aquele que salva" o seu povo. Ele era judeu de nascimento, pertencente à tribo de Levi. Na época do Faraó Thutmose III, conta a mesma fonte, todos os judeus primogênitos tiveram que ser jogados no rio Nilo, para evitar que o povo se tornasse maior e mais forte que os egípcios; Moisés, porém, foi salvo por ser tirado das águas pela filha do Faraó, que o criou como se fosse seu filho, e na corte recebeu a melhor educação. Emergiu nele, ainda assim, uma ideia clara de justiça — a de que o mais fraco deve ser sempre protegido —, tanto que não hesitou em matar um egípcio que maltratava um judeu. Para escapar da condenação do Faraó, foi obrigado a fugir e a refugiar-se no deserto.
A sarça ardente e o nome de Deus
Foi ali, escreve o Vatican News, que Deus lhe falou abertamente ao aparecer em forma de uma sarça ardente, que nunca se apagava: "Eu sou quem sou!". O Martirológio Romano guarda a mesma revelação com outro recorte e em português de Portugal: no monte Sinai Deus "revelou-lhe o seu nome, dizendo: «Eu sou o que sou», e deu-lhe a lei que devia reger a vida do povo eleito". Depois disso, Deus o mandou voltar e pedir ao Faraó a libertação dos israelitas da escravidão, a fim de guiá-los até a Terra Prometida. Para ajudá-lo, deu-lhe um cajado e colocou ao seu lado o irmão Arão, que era mais hábil na arte da oratória.
As pragas e a travessia
Diante do Faraó, Moisés e Arão encontraram resistência, e Deus enviou as pragas ao Egito: o país foi invadido por rãs, depois por mosquitos e grandes insetos; uma pestilência abateu-se sobre o gado; choveu granizo, que destruiu o linho e a cevada; vieram os gafanhotos e o sol escurecido por dias. Só depois da última delas o Faraó aceitou libertar os judeus. Naquele dia celebrava-se a instituição do Pesah — a Páscoa que os judeus recordariam todos os anos com o sacrifício de um cordeiro, o pão ázimo e as ervas amargas, símbolo da condição dos escravos. Na travessia do Mar Vermelho, o povo passou e os soldados enviados pelo Faraó não. No deserto, com o cajado, Moisés fez jorrar água das rochas, e para a fome do povo vieram as codornas e o maná.
As tábuas da Lei e o bezerro de ouro
O povo chegou aos pés do monte Sinai. Ao ver a montanha transformar-se numa fornalha, teve medo, e Moisés subiu sozinho: ficou quarenta dias sobre o monte, onde recebeu as Tábuas da Lei, os "Dez Mandamentos", esculpidos na pedra pelo próprio dedo de Deus. Quando voltou ao acampamento, encontrou um ambiente terrível — o povo, cansado e incrédulo, havia construído um bezerro de ouro e caído na idolatria. É esse o episódio que Bento XVI escolheu para uma catequese inteira, na audiência geral de 1º de junho de 2011: ali, diz o Papa, "Moisés reza, explicando de maneira emblemática a própria função de intercessão".
O homem de oração
"Lendo o Antigo Testamento, uma figura ressalta no meio das outras: a de Moisés, precisamente como homem de oração", escreveu Bento XVI, na mesma catequese e em português de Portugal. Ele reza pelo Faraó quando Deus, com as pragas, procurava converter o coração dos egípcios; pede ao Senhor a cura da irmã Maria, atingida pela lepra; intercede pelo povo que se tinha revoltado; reza quando o fogo estava prestes a devorar o acampamento e quando serpentes venenosas faziam matanças; protesta quando o fardo da sua missão se tinha tornado demasiado pesado; e fala com Deus "face a face, como alguém que fala com o próprio amigo".
"Apaga-me do livro que escreveste"
O que Bento XVI destaca no episódio do bezerro de ouro é a recusa de uma oferta. Deus diz a Moisés: "Deixa, pois, que se acenda a minha cólera contra eles e os devore; mas de ti farei uma grande nação". A frase, observa o Papa, "nem sequer é tomada em consideração" pelo amigo de Deus, que ao contrário está pronto a assumir sobre si mesmo não só a culpa do seu povo, mas todas as suas consequências: "Rogo-te que lhes perdoes agora este pecado! Senão, apaga-me do livro que escreveste". Em Moisés que se oferece assim, conclui a catequese, os Padres da Igreja viram uma prefiguração de Cristo, que no alto da cruz está diante de Deus não apenas como amigo, mas como Filho.
O monte Nebo, diante da terra da promessa
O fim está numa frase do Martirológio Romano: "Este servo de Deus morreu com avançada idade no monte Nebo, na terra de Moab, diante da terra da promessa". Não há ano nem século — é o único elogio daquele 4 de setembro sem a marca de data de morte, e este perfil não inventa nenhuma. O Vatican News acrescenta só o que o texto bíblico sustenta: o Deuteronômio descreve o fim da vida de Moisés, que, "segundo a tradição", morreu aos 120 anos, antes de entrar na Terra Prometida, que apenas pôde ver do alto, do seu refúgio no monte Nebo. Com a morte dele, Josué o sucedeu à frente de Israel.
- Morte:
- Sem ano nas fontes: o Martirológio Romano diz apenas que morreu "com avançada idade" no monte Nebo, na terra de Moab; o Vatican News registra que o Deuteronômio descreve o fim da vida dele e que, "segundo a tradição", morreu aos 120 anos
Padroado
- Os que conduzem outros e respondem por eles — nenhuma fonte consultada lhe registra padroado formal, e o Vatican News o apresenta como "legislador e profeta", cuja obra foi a de "mediador" entre o Povo e Deus
- A oração de intercessão: Bento XVI dedicou-lhe uma catequese inteira como o homem que reza pelo povo, e a súplica dele diante do bezerro de ouro é o exemplo que o Papa escolheu para explicar o que é interceder
Perguntas frequentes
Quem foi São Moisés, profeta?
Segundo o Martirológio Romano, o homem que Deus escolheu para libertar o seu povo do Egito e conduzi-lo à terra prometida, a quem revelou o próprio nome no monte Sinai e deu a lei que devia reger a vida do povo eleito. O Vatican News o apresenta como "legislador e profeta".
Quando é o dia de São Moisés?
É 4 de setembro. O Martirológio Romano, na edição publicada em português pelo Secretariado Nacional de Liturgia, abre esse dia com a "Comemoração de São Moisés, profeta", antes de todos os outros elogios da data.
Onde e como Moisés morreu?
O Martirológio Romano diz que ele "morreu com avançada idade no monte Nebo, na terra de Moab, diante da terra da promessa" — sem ano nem século. O Vatican News acrescenta que o Deuteronômio descreve esse fim e que, segundo a tradição, ele morreu aos 120 anos.
O que significa o nome Moisés?
Segundo o Vatican News, significa "salvo das águas", mas, para outros estudiosos, quer dizer também "aquele que salva" o seu povo. A primeira leitura remete ao episódio em que ele foi tirado das águas do Nilo pela filha do Faraó.
Por que Bento XVI chamou Moisés de homem de oração?
Na audiência geral de 1º de junho de 2011, o Papa mostrou que Moisés reza em cada momento decisivo: pelo Faraó, pela irmã Maria atingida pela lepra, pelo povo revoltado, diante do fogo e das serpentes. Diante do bezerro de ouro, ele pede o perdão do povo e diz: "apaga-me do livro que escreveste".
Quem sucedeu Moisés à frente de Israel?
Josué. É o que registra o Vatican News ao contar o fim da vida do profeta: Moisés morreu antes de entrar na Terra Prometida, que só pôde ver do alto do monte Nebo, e com a morte dele Josué assumiu a condução do povo.
Fontes
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