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conhecimento exacto da verdadeira doutrina e na rectidão da vida
— São João Crisóstomo
Bento XVI, Audiência Geral de 19 de setembro de 2007 — citando uma carta do exílio
Festa em 13 de setembro.
O apelido é o resumo da vida. Crisóstomo quer dizer "Boca de ouro", e o Martirológio Romano explica em uma linha por que ele o recebeu: nascido em Antioquia e ordenado sacerdote, mereceu pela sua eloquência sublime ser chamado Crisóstomo. O mesmo elogio diz o resto em poucas palavras — eleito bispo de Constantinopla, revelou-se grande pastor da Igreja e mestre da fé; condenado ao exílio pelos inimigos, entregou a alma a Deus no dia catorze de setembro, em Comana, no Ponto. Bento XVI, que lhe dedicou duas catequeses e uma carta no ano do XVI centenário da morte, acrescenta que um copista anônimo escreveu das obras dele que "atravessam toda a terra como relâmpagos buliçosos".
Ficou órfão de pai em tenra idade e viveu com a mãe, Antusa, que lhe transmitiu, escreve Bento XVI, uma requintada sensibilidade humana e uma profunda fé cristã. Teve como mestre Libânio, pagão, o mais célebre professor de retórica da época, e na escola dele tornou-se o maior orador da antiguidade grega tardia. A biografia publicada pela Santa Sé conta a cena que ficou: perguntado sobre quem queria como sucessor, Libânio teria respondido "João, se os cristãos não mo tivessem roubado". Batizado em 368 e formado na vida eclesiástica pelo bispo Melézio, foi por ele instituído leitor em 371. De 367 a 372 frequentou o asceterio, uma espécie de seminário de Antioquia, sob a guia do exegeta Diodoro de Tarso.
Retirou-se depois durante quatro anos entre os eremitas do vizinho monte Silpio, e prosseguiu o retiro por outros dois, vividos sozinho numa gruta sob a orientação de um "idoso". Naquele período dedicou-se totalmente à meditação "das leis de Cristo", dos Evangelhos e especialmente das Cartas de Paulo. Adoeceu e teve de regressar à comunidade cristã de Antioquia. Bento XVI lê a enfermidade como o momento justo em que o Senhor interveio para permitir que João seguisse a verdadeira vocação dele: colocado na alternativa entre as adversidades do governo da Igreja e a tranquilidade da vida monástica, escreveria ele mesmo que teria preferido mil vezes o serviço pastoral.
Voltou à cidade entre 378 e 379. Foi diácono em 381 e presbítero em 386 — chamado ao presbiterado por Flaviano, bispo de Antioquia, segundo a carta de Bento XVI — e tornou-se célebre pregador nas igrejas dali. O ano de 387 foi "o ano heróico" de João, o da chamada revolta das estátuas: o povo derrubou as estátuas imperiais em protesto contra o aumento das taxas, e naqueles dias de Quaresma e de angústia pelas punições do imperador ele pronunciou as suas vinte e duas vibrantes homilias sobre as estátuas, voltadas à penitência e à conversão. Aos que se reuniram na igreja com medo da cólera imperial, disse: "Se nós não vos confortamos, onde podereis encontrar conforto?"
Crisóstomo está entre os Padres mais fecundos. Chegaram até nós, na conta de Bento XVI, dezessete tratados, mais de setecentas homilias autênticas, os comentários a Mateus e a Paulo — as Cartas aos Romanos, aos Coríntios, aos Efésios e aos Hebreus — e duzentas e quarenta e uma cartas. Não foi um teólogo especulativo: transmitiu a doutrina tradicional e segura da Igreja numa época de controvérsias suscitadas sobretudo pelo arianismo. A teologia dele é requintadamente pastoral, com a preocupação constante da coerência entre o pensamento expresso pela palavra e a vivência existencial. Próximo da morte, escreveu que o valor do homem consiste no "conhecimento exacto da verdadeira doutrina e na rectidão da vida".
Em 397 foi chamado a Constantinopla, como sucessor do patriarca Nectário. Desde o início projetou a reforma da sua Igreja: a austeridade do palácio episcopal devia servir de exemplo para todos — clero, viúvas, monges, palacianos e ricos. Solícito pelos pobres, foi chamado também "Esmoler", e como administrador atento conseguiu criar instituições caritativas muito apreciadas. A carta de Bento XVI acrescenta que ele construiu hospitais e enviou missionários para difundir o Evangelho entre os que ainda não o conheciam, e que pregava a assistência material sem olhar o credo de quem precisava: "o necessitado pertence a Deus, mesmo se é pagão ou judeu".
Foi em Constantinopla, comentando os Atos dos Apóstolos, que João propôs a Igreja primitiva como modelo para a sociedade. Bento XVI resume o que estava em jogo: ele compreendeu que não basta dar esmola sempre que alguém precise, é preciso criar uma nova estrutura, um novo modelo de sociedade. Por isso o papa o chama um dos grandes Padres da Doutrina Social da Igreja — a velha ideia da pólis grega, em que amplas camadas da população ficavam excluídas dos direitos de cidadania, é substituída por uma cidade em que todos são irmãos e irmãs com iguais direitos. A primazia é de cada pessoa como tal, também do escravo e do pobre.
Muitos dos atingidos pelos juízos dele afastaram-se. Uma acesa polêmica nasceu das críticas de Crisóstomo à imperatriz Eudóxia e às palacianas dela, que reagiram desacreditando-o e insultando-o; chegou-se assim à deposição, no sínodo organizado pelo patriarca Teófilo de Alexandria em 403, e ao primeiro breve exílio. O furor popular trouxe-o de volta, mas por pouco tempo. Depois da Páscoa de 404 e de dias de desordem na cidade, foi preso e de novo condenado, e confinado em Cucuso, na Arménia. Denunciou os fatos por carta ao bispo de Roma, Inocêncio I, que reconheceu a inocência dele, defendeu-o junto aos bispos do Oriente e reuniu um sínodo para lhe fazer justiça — sem conseguir revertê-la.
Nem em Cucuso o deixaram em paz: as manifestações de afeto dos fiéis chegavam até lá, e os adversários providenciaram uma sede ainda mais distante. O deslocamento extenuante rumo a Pytius, meta nunca alcançada, devia impedir as visitas e interromper a resistência do exilado — "a condenação ao exílio foi uma verdadeira condenação à morte", escreve Bento XVI. A marcha terminou em Comana do Ponto. Ali, moribundo, João foi levado para a capela do mártir São Basilisco, onde rendeu a alma a Deus e foi sepultado, mártir ao lado do mártir. Era 14 de setembro de 407, festa da Exaltação da Santa Cruz. Deixou agonizante o extremo testamento que ficou: "Glória a Deus por tudo!"
A reabilitação veio em 438, com Teodósio II. As relíquias, colocadas na igreja dos Apóstolos em Constantinopla, foram trasladadas em 1204 para Roma e hoje jazem na capela do Coro dos Cónegos da Basílica de São Pedro. Em 2004, o papa João Paulo II doou uma parte considerável delas ao patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I — um gesto que, nas palavras que Bento XVI cita, era para a Igreja Católica e para as Igrejas Ortodoxas "uma ocasião abençoada para purificar as nossas memórias feridas". A biografia publicada pela Santa Sé lembra ainda que a figura dele acompanha, com Atanásio, Ambrósio e Agostinho, a Cátedra de Bernini na abside da Basílica Vaticana.
Uma das mais ricas expressões da liturgia oriental leva o nome dele: a Divina Liturgia de São João Crisóstomo. A carta pelo XVI centenário o chama "doutor eucarístico", pela vastidão e profundidade da doutrina dele sobre o Santíssimo Sacramento, e recolhe o que ele tirava da contemplação do mistério: a comunhão com o Corpo e o Sangue de Cristo obriga a oferecer assistência material aos pobres e aos famintos que vivem entre nós. A mesa do Senhor é o lugar onde os crentes reconhecem e acolhem o pobre que talvez antes tenham ignorado.
A memória litúrgica é celebrada em 13 de setembro. O beato João XXIII proclamou-o padroeiro do Concílio Vaticano II — a biografia publicada pela Santa Sé diz a mesma coisa com outras palavras: o papa João XXIII pôs o Concílio sob a proteção dele. E o Concílio guarda dele mais do que o patrocínio: Pio XII tinha destacado a contribuição de João para a interpretação das Escrituras com a teoria da condescendência, a synkatábasis, pela qual as palavras de Deus, expressas através dos homens, se tornaram semelhantes à linguagem humana — observação que a Constituição dogmática Dei Verbum incorporou.
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conhecimento exacto da verdadeira doutrina e na rectidão da vida
— São João Crisóstomo
Bento XVI, Audiência Geral de 19 de setembro de 2007 — citando uma carta do exílio
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Precavei as crianças desde a mais tenra idade com armas espirituais, e ensinai-lhes a persignar a fronte com a mão
— São João Crisóstomo
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Também a ti o Baptismo torna rei, sacerdote e profeta
— São João Crisóstomo
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Glória a Deus por tudo!
— São João Crisóstomo
Bento XVI, Audiência Geral de 26 de setembro de 2007 — citando Palladio, Vita 11
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conhecer o que é a criatura e o que é o Criador
— São João Crisóstomo
Bento XVI, Audiência Geral de 26 de setembro de 2007 — citando o comentário ao Génesis
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Se nós não vos confortamos, onde podereis encontrar conforto?
— São João Crisóstomo
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o necessitado pertence a Deus, mesmo se é pagão ou judeu. Mesmo se não crê, é digno de ajuda
— São João Crisóstomo
8
existe não para que quantos se reuniram se dividam, mas para que quantos estão divididos se possam unir
— São João Crisóstomo
9
nada é mais eficaz do que a moderação e a gentileza
— São João Crisóstomo
Porque o dia 14 já é a festa da Exaltação da Santa Cruz — Bento XVI registra que ele morreu justamente nessa festa, em 407, e que a memória litúrgica se celebra em 13 de setembro. A biografia publicada pela Santa Sé conta ainda que o Martirológio Romano e os sinaxários orientais inscreviam antes a festa em 27 de janeiro, aniversário do regresso do corpo a Constantinopla.
Quer dizer "Boca de ouro", em grego, e é apelido, não sobrenome. O Martirológio Romano diz que ele mereceu recebê-lo pela sua eloquência sublime. A carta de Bento XVI pelo XVI centenário acrescenta que a fama de pregador já lhe valia esse título a partir do século VI.
Do Concílio Vaticano II. Bento XVI escreve que o beato João XXIII o proclamou padroeiro do Concílio, e a biografia publicada pela Santa Sé diz o mesmo de outro modo: o papa João XXIII pôs o Concílio Vaticano II sob a proteção dele. As fontes reunidas aqui não sustentam nenhum outro padroado.
Segundo Bento XVI, dezessete tratados, mais de setecentas homilias autênticas, os comentários ao Evangelho de Mateus e às Cartas de Paulo aos Romanos, aos Coríntios, aos Efésios e aos Hebreus, e ainda duzentas e quarenta e uma cartas. É um dos Padres mais fecundos da Igreja antiga.
As fontes divergem, e vale registrar as duas. O Martirológio Romano diz que ele foi chamado de novo à sua sede por decreto do papa Inocêncio I e morreu durante a viagem de regresso. Bento XVI conta que Inocêncio estava convencido da inocência dele mas não tinha poder para o ajudar, e que a marcha era rumo a Pytius, meta nunca alcançada — o segundo exílio, e não a volta.
Aqui também há divergência dentro das próprias fontes do Vaticano. A catequese de Bento XVI de 19 de setembro de 2007 diz que ele foi nomeado bispo de Constantinopla em 397, e a biografia publicada pela Santa Sé repete esse ano; já a carta do mesmo papa pelo XVI centenário fala em consagração episcopal em 398.
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