Mensagem com Fé

São Gregório Magno, papa e doutor da Igreja

Festa em 3 de setembro.

Quem foi

Hoje a Igreja não guarda a morte, e sim a eleição. O elogio do Martirológio Romano diz que foi neste dia que Gregório foi eleito para a Sede Romana — e acrescenta, na mesma linha, que ele morreu no dia doze de março. A memória caiu no 3 de setembro por causa do começo do pontificado, não do fim da vida. O resto do elogio cabe em quatro verbos: procedeu como bom pastor no governo da Igreja, no cuidado dos pobres, na promoção da vida monástica e na consolidação e propagação da fé em toda a parte.

A casa do Clivus Scauri

Bento XVI, em duas catequeses dedicadas a ele em 2008, situa o nascimento em Roma, por volta de 540, numa rica família patrícia da gens Anicia — a mesma de que tinham saído dois papas, Félix III (483-492), trisavô de Gregório, e Agapito (535-536). A casa em que cresceu ficava no Clivus Scauri. Os pais, Gordiano e Sílvia, são ambos venerados como santos, e o Vatican News lembra que a Igreja celebra Sílvia em 3 de novembro; as duas tias paternas, Emiliana e Tarsília, viveram na própria casa como virgens consagradas, num caminho partilhado de oração e de ascese.

Prefeito da cidade, e depois monge

Gregório entrou cedo na carreira administrativa, que o pai também tinha seguido, e em 572 chegou ao ápice dela: tornou-se prefeito da cidade de Roma. Bento XVI diz que ficou dessa passagem um profundo sentido da ordem e da disciplina, a ponto de, já papa, ele sugerir aos bispos que tomassem por modelo, na gestão dos assuntos eclesiásticos, a diligência e o respeito pelas leis próprias dos funcionários civis. Mas a vida talvez não o satisfizesse: pouco depois deixou todo cargo civil e transformou a casa de família no mosteiro de Santo André "al Celio". O Vatican News acrescenta que antes disso ele estudou Direito e que, ao se retirar, deu os bens aos pobres.

Apocrisário em Constantinopla

O retiro não durou. O papa Pelágio II nomeou-o diácono e enviou-o a Constantinopla como seu "apocrisário" — o que hoje se chamaria núncio apostólico. O Martirológio Romano registra essa missão em uma linha: exerceu a missão de legado pontifício a Constantinopla. Segundo o Vatican News, ele ficou seis anos ali e continuou a viver como monge, junto com outros religiosos, enquanto cumpria as funções diplomáticas. Bento XVI acrescenta o que estava em jogo: favorecer a superação dos últimos vestígios da controvérsia monofisita e obter o apoio do imperador no esforço de conter a pressão longobarda.

A peste, e uma eleição de que ele tentou fugir

Chamado de volta a Roma, Gregório encontrou anos difíceis: chuvas contínuas, rios transbordando, carestia — e, no fim, a peste, que fez numerosas vítimas, entre elas o próprio papa Pelágio II. O clero, o povo e o senado foram unânimes em escolhê-lo como sucessor na Sé de Pedro. Bento XVI conta que ele procurou opor resistência e tentou até a fuga, sem êxito; no final teve de ceder. Era o ano 590, e o pontificado iria até 604.

Os longobardos e a rainha Teodolinda

A questão longobarda foi o problema que mais lhe custou. Ao contrário do imperador bizantino, que via naquele povo apenas indivíduos grosseiros e saqueadores, a serem derrotados ou exterminados, Gregório o via com os olhos de um bom pastor. Negociou com o rei Agilulfo: veio daí uma trégua de cerca de três anos (598-601) e, depois, um armistício mais estável em 603. O resultado deve muito à rainha Teodolinda, princesa bávara e católica, com quem o papa manteve uma correspondência de estima e amizade e que foi levando o rei ao catolicismo. Bento XVI resume a vida dela como um bonito testemunho sobre a importância das mulheres na história da Igreja.

O trigo, os resgates, as contas da Igreja

Com os rendimentos do patrimônio que a Sé romana possuía na Itália, especialmente na Sicília, Gregório comprou e distribuiu trigo, socorreu quem estava em necessidade, ajudou sacerdotes, monges e monjas que viviam na indigência, pagou resgates de cidadãos que tinham caído prisioneiros dos longobardos e comprou armistícios e tréguas. E reorganizou a administração com instruções claras: os bens da Igreja geridos com absoluta retidão, segundo as regras da justiça e da misericórdia, e os colonos protegidos das prevaricações dos concessionários das terras — em caso de fraude, indenizados de imediato, para que o rosto da Esposa de Cristo não fosse maculado com lucros desonestos.

Quarenta monges para a Bretanha

Preocupou-se com a conversão dos povos jovens que estavam reorganizando a Europa: os visigodos da Espanha, os francos, os saxões, os imigrados na Bretanha e os longobardos. À Bretanha enviou Agostinho, prior do convento de Santo André no Celio, com quarenta monges — o mesmo Agostinho que se tornaria bispo de Cantuária. Bento XVI observa que Gregório considerava a conversão dos anglos um progresso do Reino de Deus a ponto de inserir o anúncio dela no meio de um comentário bíblico, o Comentário moral de Job.

O que ele escreveu

O epistolário, o Registro, guarda a documentação do governo: Bento XVI fala em cerca de 800 cartas, e o Vatican News, em mais de 880. Além dele ficaram o Comentário moral de Job — conhecido pelo título latino Moralia in Iob —, as Homilias sobre Ezequiel, as Homilias sobre os Evangelhos e os Diálogos, escritos para a edificação da rainha Teodolinda, cujo livro II é inteiramente dedicado a Bento de Núrsia e é o único testemunho antigo sobre a vida do santo monge. A obra principal é a Regra pastoral, redigida no início do pontificado: traça a figura do bispo ideal e define o cuidado das almas como ars artium, a arte das artes. Teve tanto êxito que foi depressa traduzida em grego e anglo-saxão.

Servo dos servos de Deus

O título com que ele quis ser chamado é o que ficou. Servus servorum Dei — servo dos servos de Deus — não era, escreve Bento XVI, uma fórmula piedosa, mas a verdadeira manifestação do seu modo de viver e de agir; no coração, Gregório permaneceu um simples monge, e por isso era decididamente contrário aos grandes títulos. Foi essa convicção que o levou a se opor ao título de "ecuménico" por parte do patriarca de Constantinopla — não para limitar ou negar aquela autoridade legítima, mas por preocupação com a unidade fraterna da Igreja universal. O Martirológio Romano diz o mesmo em poucas palavras: atendeu como servo dos servos às suas funções sagradas.

A voz fraca, e o canto que leva o nome dele

Gregório fez tudo isso com saúde frágil. Os jejuns dos anos de vida monástica tinham-lhe causado sérias complicações no aparelho digestivo, e a voz era tão débil que com frequência ele precisava confiar ao diácono a leitura das próprias homilias, para que os fiéis presentes nas basílicas romanas pudessem ouvi-lo. Ainda assim, conta o Vatican News, reformou a celebração da Missa, tornando-a mais simples, e promoveu o canto litúrgico que veio a receber o nome de gregoriano. Morreu em 12 de março de 604 e foi sepultado na Basílica de São Pedro, onde o corpo repousa.

Patrono dos cantores e dos músicos

É por causa desse cuidado com a liturgia que ele é lembrado, segundo o Vatican News, como patrono dos cantores, dos músicos, dos estudantes, dos professores e dos poetas litúrgicos — e como patrono e grande impulsionador do canto gregoriano, que é monofônico, em latim, e voltado exclusivamente para a oração. Na Audiência Geral de 3 de setembro de 2025, o papa Leão XIV o chamou de "o grande" pela excepcional atividade como pastor e mestre da fé em tempos muito difíceis para a sociedade e para a Igreja — uma grandeza que, disse ele, tirava força da confiança em Cristo.

Nascimento:
Em Roma, por volta de 540, segundo Bento XVI; o Vatican News dá o ano de 540
Morte:
12 de março de 604, sepultado na Basílica de São Pedro, segundo o Vatican News; o Martirológio Romano registra "Morreu no dia doze de Março" e a marca († 604)

Frases de São Gregório Magno, papa e doutor da Igreja

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Perguntas frequentes

Por que São Gregório Magno é celebrado em 3 de setembro?

Porque a memória guarda a eleição, e não a morte. O elogio do Martirológio Romano diz que foi neste dia que ele foi eleito para a Sede Romana. A morte, o mesmo elogio a registra no dia doze de março, e o Vatican News a data em 12 de março de 604.

O que quer dizer "servo dos servos de Deus"?

É a tradução de servus servorum Dei, expressão que o próprio Gregório cunhou para se designar nas cartas oficiais e que os papas conservaram depois dele. Bento XVI explica que não era fórmula piedosa, mas a manifestação do modo dele de viver: no coração continuou monge, e recusava os grandes títulos.

São Gregório Magno é padroeiro de quê?

Segundo o Vatican News, ele é lembrado como patrono dos cantores, dos músicos, dos estudantes, dos professores e dos poetas litúrgicos, e ainda como patrono e grande impulsionador do canto gregoriano — o canto litúrgico que ele promoveu e que acabou levando o nome dele.

Foi São Gregório Magno quem compôs o canto gregoriano?

As fontes consultadas aqui não dizem isso. O Vatican News afirma que ele promoveu o canto litúrgico, que depois recebeu o nome de gregoriano, e que organizou os cantos que mais tarde dariam origem ao que hoje se chama assim. Por isso é tido como patrono e impulsionador desse estilo, não como autor das melodias.

Qual é a principal obra de São Gregório Magno?

A Regra pastoral, escrita nos primeiros anos do pontificado. Nela Gregório traça a figura do bispo ideal, mestre e guia do seu rebanho, e define o cuidado das almas como ars artium, a arte das artes. Bento XVI registra que ela teve tanto êxito que foi depressa traduzida em grego e anglo-saxão.

Como Gregório chegou a ser eleito papa?

Ele era diácono e tinha sido representante do papa em Constantinopla. Quando a peste que castigava Roma matou o papa Pelágio II, em 590, o clero, o povo e o senado foram unânimes em escolhê-lo. Bento XVI conta que Gregório resistiu e tentou até fugir, mas no final teve de ceder.

Fontes

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