Mensagem com Fé

Santos Cornélio e Cipriano, mártires

Festa em 16 de setembro.

Quem foi

São dois santos e uma festa só, e o Martirológio Romano já explica no elogio do dia 16 de setembro: "Memória de São Cornélio, papa, e São Cipriano, bispo, mártires, dos quais se recordam no dia catorze de Setembro o sepultamento do primeiro e a paixão do segundo. Neste dia todo o orbe cristão louva unanimemente os testemunhos de amor à verdade indefectível, que, em tempo de perseguição, estes santos prestaram perante a Igreja e o mundo". No fim do elogio vêm os dois anos de morte, e mais nada: "(† 252; 258)". O Vatican News acrescenta que a comemoração conjunta "é muito antiga" e que "o Martirológio de São Jerônimo já os celebrava juntos".

Painel de fundo dourado: um papa de perfil, de tiara com três coroas e capa vermelha sobre alva branca, segura a cruz papal e uma palma escura, com a mão apoiada no punho de uma espada; na cartela do rodapé, uma inscrição em latim.
Mestre de Messkirch, c. 1535/40 · domínio público · Wikimedia Commons — "Heiliger Cornelius", Mestre de Messkirch (domínio público)

Cornélio, eleito em Roma depois de anos de sé vaga

O que se sabe dele nesta página vem do Vatican News. Em Roma, no ano 251, "após alguns anos de cargo vacante, devido à perseguição de Décio", Cornélio foi eleito papa: "era um romano, talvez de origens nobres, mas, certamente, reconhecido como homem de fé, justo e amoroso". A eleição não foi aceita pelo herege Novaciano, que se fez consagrar antipapa e abriu um cisma dentro da própria cidade de Roma. Cornélio foi acusado de ser muito manso com os "lapsos" — apóstatas que voltavam à Igreja "sem as devidas penitências, mas simplesmente com a apresentação de um certificado de reconciliação, obtido de algum suposto confessor". Depois vieram uma epidemia sobre Roma e a perseguição anticristã de Galo. Cornélio foi exilado e preso em Civitavecchia, onde morreu; foi sepultado nas catacumbas de São Calisto, em Roma.

Cipriano, o advogado que virou bispo de Cartago

"Cipriano nasceu em Cartago, no ano 210: era um hábil retórico, que exercia a profissão de advogado", conta o Vatican News. Converteu-se ao cristianismo ao ouvir a palavra de Jesus, e a fonte situa isso em 246; pela fama de intelectual, foi "imediatamente ordenado sacerdote e consagrado Bispo da sua cidade". Bento XVI, numa catequese inteira dedicada a ele, o apresenta como "um excelente Bispo africano do século III" que "foi o primeiro bispo que na África conseguiu a coroa do martírio", e diz que a fama dele está ligada à produção literária e à atividade pastoral "dos treze anos que decorrem entre a sua conversão e o martírio". Quem primeiro escreveu a vida dele foi o diácono Pôncio, e é de Pôncio a cena do fim: "por ordem do pró-cônsul chegou improvisamente à sua cidade o chefe da polícia".

A questão dos "lapsos", que uniu os dois

O problema que atravessa as duas biografias é o mesmo. Depois da perseguição de Décio, muitos fiéis tinham abjurado; alguns depois se arrependiam e queriam voltar. Bento XVI escreve que o debate sobre a readmissão desses lapsi "chegou a dividir os cristãos" em laxistas e rigorosos, e que Cipriano "foi severo, mas não inflexível" com eles. A mesma acolhida rendeu a Cornélio, em Roma, a acusação de brandura. Os dois enfrentaram também os cismas que nasceram da disputa: Cipriano lutou contra o padre Novato, apoiador local do antipapa Novaciano, e contra o diácono Felicissimo, que tinha eleito Fortunato como antibispo; "em 252, Cipriano conseguiu convocar um Concílio em Cartago para condená-los, enquanto o Papa Cornélio, em Roma, confirmava a excomunhão deles", registra o Vatican News.

O que Cipriano deixou escrito

De Cornélio as fontes citadas aqui não guardam nenhuma linha; de Cipriano, sim. Bento XVI diz que ele "compôs numerosos tratados e cartas, sempre ligados ao seu ministério pastoral", e que a Igreja é o tema que lhe era mais querido: "não pode ter Deus como pai quem não tem a Igreja como mãe", escreveu em "A unidade da Igreja católica", de onde vem também: "Há um só Deus, um só Cristo, uma só é a Igreja, uma só a fé, um só povo cristão". Do livro sobre o Pai-Nosso, que o papa diz amar particularmente, sai a linha que resume o resto: a oração cristã "é pública e comunitária e, quando nós rezamos, não rezamos por um só, mas por todo o povo" — porque "Deus ouve não a voz, mas o coração".

Onde as fontes não dizem o mesmo

Duas divergências ficam registradas em vez de resolvidas. A primeira é sobre o que a data de 14 de setembro guarda: para o Martirológio Romano é "o sepultamento do primeiro e a paixão do segundo", enquanto o Vatican News escreve que a data indica "a renúncia ao trono papal do primeiro e a morte do segundo por decapitação" — na edição italiana, "la deposizione del primo dal soglio pontificio". A segunda é sobre quem apoiou quem: a edição portuguesa do Vatican News diz que Cornélio "apoiava à distância o Bispo Cipriano", e a italiana, que era ele quem "riceve il sostegno a distanza del vescovo Cipriano". Este perfil não escolhe por conta própria entre as duas leituras.

Nascimento:
Cipriano nasceu em Cartago no ano 210, informa o Vatican News. Da origem de Cornélio a mesma fonte diz apenas que era "um romano, talvez de origens nobres" — nenhuma das fontes citadas nesta página dá ano, cidade ou família para ele, e este perfil não vai além delas
Morte:
O Martirológio Romano fecha o elogio de 16 de setembro com os dois anos: "(† 252; 258)" — o primeiro de Cornélio, o segundo de Cipriano. O Vatican News não dá ano para nenhum dos dois: diz que Cornélio foi exilado e preso em Civitavecchia, "onde faleceu", e que Cipriano, tendo voltado a Cartago na clandestinidade, "ali foi martirizado"

Padroado

Perguntas frequentes

Quem foram São Cornélio e São Cipriano?

Um papa e um bispo do século III, mártires. Cornélio foi eleito papa em Roma no ano 251, informa o Vatican News; Cipriano, nascido em Cartago em 210, era advogado antes de converter-se e tornar-se bispo da própria cidade. O Martirológio Romano os celebra num único elogio.

Por que os dois são celebrados no mesmo dia?

Porque a memória conjunta é antiga: "o Martirológio de São Jerônimo já os celebrava juntos", diz o Vatican News. O Martirológio Romano explica que em 14 de setembro se recordam "o sepultamento do primeiro e a paixão do segundo", e que é em 16 de setembro que a Igreja inteira os louva.

Quando morreram São Cornélio e São Cipriano?

O Martirológio Romano fecha o elogio de 16 de setembro com "(† 252; 258)": o primeiro ano é o de Cornélio, o segundo o de Cipriano. O Vatican News conta como cada um morreu — Cornélio preso em Civitavecchia, Cipriano martirizado em Cartago — mas não dá ano para nenhum dos dois.

O que foi a questão dos "lapsos"?

Depois da perseguição de Décio, muitos cristãos que tinham abjurado quiseram voltar à Igreja. Bento XVI escreve que o debate sobre a readmissão desses lapsi "chegou a dividir os cristãos" em laxistas e rigorosos. Cipriano, diz ele, "foi severo, mas não inflexível" com eles; Cornélio foi acusado de brandura.

Onde está sepultado São Cornélio?

Nas catacumbas de São Calisto, em Roma, segundo o Vatican News. A mesma fonte registra que ele havia sido exilado e preso em Civitavecchia, onde faleceu, e que só depois o corpo foi levado para Roma.

O que São Cipriano escreveu?

Bento XVI diz que ele "compôs numerosos tratados e cartas, sempre ligados ao seu ministério pastoral", e cita dois: "A unidade da Igreja católica", com a frase "não pode ter Deus como pai quem não tem a Igreja como mãe", e um livro sobre o Pai-Nosso, no qual ensina que a oração cristã "é pública e comunitária".

Fontes

Tudo o que está nesta página vem das fontes abaixo. Os links abrem o texto original.

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