Santo Egídio
Festa em 1º de setembro.
Quem foi
O que se sabe de Santo Egídio começa por um túmulo. O Vatican News conta que a sepultura venerada numa abadia da região francesa de Nimes remonta provavelmente à época merovíngia, mas que a inscrição dela não é anterior ao século X — a mesma data em que foi composta a Vida do santo abade, "permeada de prodígios". É desse ponto que se tenta reconstruir a vida dele. A ACI Digital resume o resultado sem rodeios: conhecem-se muito poucos detalhes. Este perfil segue esse limite e diz "segundo a tradição" exatamente onde as fontes dizem.
Os dois nomes
O Martirológio Romano registra-o no dia 1º de setembro como "São Gil ou Egídio", no território de Nimes, na Gália Narbonense, hoje França. São os dois nomes com que ele chega ao Brasil — e o jornal O São Paulo, da Arquidiocese de São Paulo, acrescenta a ponte que falta ao leitor daqui: em francês, o nome dele é Gilles. Daí Saint-Gilles.
O eremita do Ródano
A lenda mais popular, diz o Vatican News, faz Egídio vir de Atenas para viver como eremita num bosque junto à foz do rio Ródano, no sul da França, a fim de se entregar com maior dedicação ao serviço de Deus. A ACI Digital fala apenas de "origem grega". O tempo passava em oração, com austeridade e jejuns: nutria-se de ervas, raízes e frutos selváticos, dormia na terra nua e tinha por travesseiro uma rocha. À mesma tradição pertence a cerva que o Senhor teria mandado para lhe fornecer leite todos os dias.
A flecha do rei
O episódio mais contado vem daí. Durante uma caça, o eremita foi descoberto por Flávio, rei dos Godos; o soberano lançou por erro uma flecha contra a cerva e feriu Egídio, que estava ao lado do animal que abrigava. Da ferida nasceu uma amizade, e o rei, comovido, ofereceu-lhe uma extensão de terra para construir uma abadia. Ali o anacoreta perdeu a solidão e viu crescer uma comunidade ativa de monges, da qual foi diretor espiritual. O mosteiro recebeu o nome de Abadia de Saint-Gilles.
O que o Martirológio guarda
O elogio do Martirológio Romano diz o mesmo desfecho em uma linha só, e sem a moldura da lenda: dele tomou o nome a povoação que posteriormente se desenvolveu na região da Camargue, onde ele, segundo a tradição, construiu um mosteiro e terminou o curso da sua vida mortal. A ACI Digital descreve esse mosteiro como o que ele construiu perto da desembocadura do Ródano, impulsionando ali a vida monacal.
Quando ele morreu, as fontes divergem
O Martirológio Romano fecha o elogio com a marca "† s. VI/VII", e a ACI Digital diz que ele viveu entre os séculos VI e VII. O Vatican News dá uma data fechada: 1º de setembro de 720, que já é o século seguinte. Este perfil não escolhe entre as duas versões — registra as duas, porque é isso que as fontes sustentam. A festa, essa sim, é firme: 1º de setembro.
Lavrar, pregar, curar
Sobre o que ele fez junto com os monges, o Vatican News é concreto: uma grande obra de evangelização e civilização da região, o atual Languedoc — lavrou a terra, fertilizou os campos até então incultos, abriu caminhos comerciais e, sobretudo, pregou o Evangelho. Pelos muitos milagres, ficou conhecido em toda a França sob o nome de "santo taumaturgo". A ACI Digital atribui-lhe numerosos milagres, especialmente de curas e de conversão de pecadores, e lembra-o de modo especial como o homem que obteve a conversão do rei Carlos, a quem descobriu um pecado oculto, convidando-o a confessá-lo no sacramento.
O mal de São Gil
Nos séculos posteriores à sua morte, ele passou a ser considerado protetor contra a epilepsia — e a doença veio a ser conhecida, em muitos lugares, como "mal de São Gil". O culto estendeu-se, segundo numerosos testemunhos recolhidos pelo Vatican News, até a Bélgica, a Holanda e a Itália.
O milagre do maná, em Latronico
Em Latronico, pequeno centro da Basilicata, a basílica é dedicada a ele como padroeiro, e ali se renova há quase três séculos o chamado "milagre do maná". A partir de 1716, numa ou mais sextas-feiras de março, da pintura que representa Egídio em penitência num eremitério verte um líquido incolor; as crônicas já falavam do fenômeno desde 1709. Em 22 de fevereiro de 1728, o bispo local promulgou o decreto segundo o qual o líquido podia ser recolhido todas as vezes que se apresentasse.
- Morte:
- Século VI ou VII, no território de Nimes, segundo o Martirológio Romano; o Vatican News dá 1º de setembro de 720
Padroado
- A proteção contra a epilepsia, chamada em muitos lugares de "mal de São Gil"
- Latronico, na Basilicata (Itália), cuja basílica é dedicada a ele como padroeiro
Perguntas frequentes
Quem foi Santo Egídio?
Um eremita que viveu no território de Nimes, no sul da França, e que, segundo a tradição, construiu ali um mosteiro e terminou nele a vida. O Vatican News o celebra como abade e diretor espiritual da comunidade de monges que cresceu ao seu redor.
Por que Santo Egídio também é chamado de São Gil?
Porque o Martirológio Romano o registra no dia 1º de setembro como "São Gil ou Egídio". Em francês o nome dele é Gilles, e foi assim que a povoação nascida junto ao mosteiro passou a se chamar Saint-Gilles.
Em que ano Santo Egídio morreu?
As fontes divergem. O Martirológio Romano e a ACI Digital o situam entre os séculos VI e VII; o Vatican News dá a data de 1º de setembro de 720. A festa litúrgica, no entanto, é a mesma nas duas versões: 1º de setembro.
O que é o chamado "mal de São Gil"?
É um nome antigo da epilepsia. Segundo a ACI Digital, nos séculos posteriores à morte de Egídio ele passou a ser considerado protetor contra essa doença, que por isso ficou conhecida em muitos lugares como "mal de São Gil".
Qual é a história da cerva de Santo Egídio?
Pertence à tradição recolhida pelo Vatican News: o Senhor teria mandado ao eremita uma cerva que lhe dava leite todos os dias. Durante uma caça, o rei atirou por erro uma flecha contra o animal e feriu o próprio Egídio, e dali nasceu a amizade que deu origem à abadia.
Onde Santo Egídio é venerado hoje?
Além da abadia da região de Nimes, onde está o túmulo, o Vatican News registra que o culto se estendeu à Bélgica, à Holanda e à Itália, com destaque para Tolfa, no Lácio, e Latronico, na Basilicata, cuja basílica é dedicada a ele como padroeiro.
Fontes
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