Mensagem com Fé

Natividade da Virgem Maria

Festa em 8 de setembro.

Quem foi

A Natividade de Nossa Senhora não é a memória da morte de um santo: é a festa com que o Martirológio Romano abre o dia 8 de setembro. O elogio, transcrito aqui na grafia portuguesa da fonte, diz o que se celebra: “Festa da Natividade da Virgem Santa Maria, da descendência de Abraão, nascida da tribo de Judá, da linhagem régia de David, da qual nasceu o Filho de Deus, feito homem por virtude do Espírito Santo, para libertar os homens da antiga escravidão do pecado.” Este perfil segue as fontes listadas no fim da página e para onde elas param.

Pintura escura de um interior noturno: mulheres reunidas em volta de uma recém-nascida enrolada em panos brancos, sobre o colo de uma delas, junto a uma bacia; à esquerda, um menino e um cão branco; ao fundo, uma cama entre sombras; no alto, um grupo de anjos numa nuvem dourada.
Bartolomé Esteban Murillo, c. 1660 · domínio público · Wikimedia Commons — Naissance de la Vierge (O Nascimento da Virgem), de Bartolomé Esteban Murillo, c. 1660, Museu do Louvre

A terceira natividade do calendário

A Igreja costuma celebrar o dia da morte dos santos, não o do nascimento. Dom Murilo Krieger, arcebispo emérito de São Salvador da Bahia, enuncia a regra e as exceções: a Igreja católica “não costuma celebrar o dia de nascimento dos santos, mas sim o de sua morte – isto é, quando entraram para a glória eterna”, e há “três celebrações de nascimento: de Jesus Cristo (Natal); de São João Batista (...); e o da própria Virgem Santíssima”. O Vatican News diz o mesmo com as datas na mão: é “a terceira festa da ‘natividade’ presente no calendário romano: natividade de Jesus, o Filho de Deus (Natal); natividade de São João Batista (24 de junho) e natividade de Nossa Senhora (8 de setembro)”.

De Jerusalém para Roma

É das mais antigas festas marianas, e o Vatican News situa a origem dela numa dedicação de igreja: “Imagina-se que a sua origem esteja ligada à festa da dedicação de uma igreja a Maria, em Jerusalém, no século IV: a basílica de Santa Ana, onde, segundo a tradição, era a casa dos pais de Maria, Joaquim e Ana e, onde, nasceu a Virgem”. De lá ela chegou a Roma: “Em Roma, esta festa começou a ser celebrada no século VIII, durante o pontificado do Papa Sérgio I (†8 de setembro de 701)”. A CNBB acrescenta o que Sérgio I pôs junto com a festa — “uma procissão que saía da Igreja de Santo Adriano e ia até a basílica de Santa Maria Maior” — e num ponto as duas fontes divergem, o que vale registrar em vez de escolher: a CNBB fala em século VII, o Vatican News em século VIII.

Nove meses depois da Imaculada Conceição

Por que 8 de setembro, se ninguém guarda o dia? O cardeal Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, responde pela conta do calendário: “Essa festa acontece após nove meses da celebração da Imaculada Conceição, ou seja, Maria foi concebida sem a mancha do pecado original”. E é explícito quanto ao que não se sabe: “Não há relato ao certo do dia do nascimento de Nossa Senhora, mas a Igreja calcula nove meses após a data da celebração da Festa da Imaculada Conceição” — que é 8 de dezembro.

O que os Evangelhos não contam

Sobre a menina que nasce, os Evangelhos calam. Dom Murilo Krieger é direto: “Não há, nos textos evangélicos, referência alguma ao nascimento de Maria”, porque “o objetivo que os evangelistas tinham ao escrever o Evangelho era o de nos apresentar Jesus Cristo”. O que a tradição guarda vem de outro lugar, e a fonte diz de qual: os Evangelhos Apócrifos, “que não são textos inspirados”, e segundo os quais “Nossa Senhora teria nascido na cidade de Nazaré, na Galileia, e seus pais se chamavam Joaquim e Ana”. O Vatican News nomeia o escrito — “a tradição faz menção no Protoevangelho de Tiago, apócrifo escrito no século II” — e põe o acento onde ele deve ficar: “o acontecimento fundamental da vida de Maria continua sendo a Anunciação”.

“A natividade da alegria”

O texto que a liturgia brasileira mais repete neste dia é de São João Damasceno, do século VIII — pronunciado, segundo a CNBB, na própria Basílica de Santana: “Vinde, todas as nações, vinde, homens de todas as raças, línguas e idades, de todas as condições: com alegria celebremos a natividade da alegria! (...) Que a criação inteira se alegre, festeje e cante a natividade de uma santa mulher, porque ela gerou para o mundo um tesouro imperecível de bondade, e porque por ela o Criador mudou toda a natureza humana em um estado melhor!”

O sermão do Padre Antônio Vieira

No século XVII, num sermão de festa da Natividade que a CNBB e o Vatican News reproduzem, o Padre Antônio Vieira perguntou: “Quereis saber quão feliz, quão alto é e quão digno de ser festejado o Nascimento de Maria?” E respondeu com uma litania dos títulos populares de Maria: “Vede para que nasceu: nasceu para que dela nascesse Deus. (…) Perguntai aos enfermos para que nasce esta celestial Menina: dir-vos-ão que nasce para Senhora da Saúde; perguntai aos pobres, dirão que nasce para Senhora dos Remédios; (…) Os cegos dirão que nasce para Senhora da Luz; os discordes, para Senhora da Paz; (…) E se todas estas vozes se unirem em uma só voz, dirão que nasce para ser Maria e Mãe de Jesus.”

Maria Nascente, em Milão

Fora do Brasil, a festa deu nome a uma catedral. O Vatican News registra que em Milão ela “remonta ao século X” e que o Duomo, “dedicado a ‘Maria Nascente’ (Madonnina), foi consagrado em 20 de outubro de 1572, por São Carlos Borromeu”. Na mesma cidade, na Rua Santa Sofia, fica o santuário que conserva a pequena estátua de “Maria Bambina” (Nossa Senhora Menina) — a devoção que, segundo a mesma fonte, faz as religiosas das Irmãs da Caridade de Lovere serem chamadas, desde então, “Irmãs de Maria Menina”.

As padroeiras brasileiras do dia

No Brasil, 8 de setembro reúne vários títulos marianos. A CNBB lista, para esta data: o Estado do Tocantins, que tem a Natividade de Maria como padroeira estadual; Curitiba, com Nossa Senhora da Luz, padroeira arquidiocesana e municipal e titular da Catedral; Vitória, com Nossa Senhora da Vitória, padroeira arquidiocesana; Amparo, com Nossa Senhora do Amparo; Juazeiro, com Nossa Senhora das Grotas; Parnaíba, com Nossa Senhora Mãe da Divina Graça; Petrópolis, com Nossa Senhora do Amor Divino; Santos, com Nossa Senhora do Monserrate; e Lábrea, com Nossa Senhora de Nazaré.

Padroado

Perguntas frequentes

O que a Igreja celebra no dia 8 de setembro?

A Natividade de Nossa Senhora, isto é, o nascimento de Maria. O Martirológio Romano abre o dia com a “Festa da Natividade da Virgem Santa Maria, da descendência de Abraão, nascida da tribo de Judá, da linhagem régia de David”. Não é a memória da morte de um santo, e sim uma festa de nascimento.

Por que a Natividade de Nossa Senhora cai em 8 de setembro?

Pela conta do calendário litúrgico. O cardeal Orani João Tempesta explica que a festa “acontece após nove meses da celebração da Imaculada Conceição”, que é 8 de dezembro, e reconhece que “não há relato ao certo do dia do nascimento de Nossa Senhora”.

Quais são as três festas de nascimento do calendário romano?

As de Jesus, de São João Batista e de Maria. O Vatican News as enumera assim: “natividade de Jesus, o Filho de Deus (Natal); natividade de São João Batista (24 de junho) e natividade de Nossa Senhora (8 de setembro)”. Para os demais santos, a Igreja celebra o dia da morte.

Os Evangelhos contam o nascimento de Maria?

Não. Dom Murilo Krieger observa que “não há, nos textos evangélicos, referência alguma ao nascimento de Maria”. Os nomes de Joaquim e Ana e o nascimento em Nazaré vêm dos Evangelhos Apócrifos — o Vatican News cita o Protoevangelho de Tiago, do século II —, que não são textos inspirados.

Desde quando a Natividade de Nossa Senhora é celebrada?

É uma das mais antigas festas marianas. O Vatican News liga a origem dela à dedicação de uma igreja a Maria em Jerusalém, no século IV, a basílica de Santa Ana; em Roma, começou a ser celebrada no século VIII, no pontificado do papa Sérgio I. A CNBB registra que Sérgio I instituiu também uma procissão até Santa Maria Maior.

A Natividade de Nossa Senhora é padroeira de algum lugar no Brasil?

Sim. A CNBB registra que o Estado do Tocantins tem a Natividade de Maria como padroeira estadual, e lista para a mesma data outros títulos marianos, como Nossa Senhora da Luz em Curitiba e Nossa Senhora da Vitória em Vitória.

Fontes

Tudo o que está nesta página vem das fontes abaixo. Os links abrem o texto original.

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